Contextualizando : Tendências em Aplicações Sociais para 2009
Há alguns vários dias publiquei um post com a apresentação que fiz no Campus Party sobre Tendências em Aplicações Sociais para 2009. No mesmo post comentei que escreveria alguns novos posts sobre o assunto e este é o primeiro deles.
PS:. Também desisti de ficar revisando o post e protelando a publicação. Então, fica o convite, se você encontrar algum erro ou mesmo alguma idéia ou conceito equivocado, me avise que farei o possível para corrigir o artigo. A idéia é deixar um trabalho que possar ser uma boa referêncie para o assunto.
O que são as aplicações sociais
Antes de falar das tendências, é preciso que entender o que são aplicações sociais e em que contexto elas se encontram no momento atual. Por definição, aplicações sociais (social software, ou social applications) são todas as aplicações, sistemas e serviços que permitem que usuários (pessoas) interajam entre si e troquem informações. O verbete da Wikipedia que descreve social software também chama a atenção para o fato da maioria destes serviços compartilharem características comuns como oferecem APIs (application programming interfaces) abertas, design orientado a serviços e a capacidade de se fazer o upload de dados e mídia. Alguns destes serviços acabaram ficando muito famosos como é o caso do Orkut, o FaceBook, o Twitter, o YouTube e também – porque não? – alguns serviços nacionais como o BlogBlogs e o VideoLog.
A infra-estrutura da nova web
Recentemente as Redes Sociais emergiram como uma grande novidade ou até mesmo como as killer applications da Internet, mas discordo desta visão e acredito que redes sociais são muito mais features (ou funcionalidades) do que produtos. Para mim elas são apenas um nova camada da infra-estrutura da nova web, a camada social. Podemos entender a web atual sendo composta por três camadas: a) a primeira camada (começando da mais profunda para a mais superficial inspirado pelo modelo OSI) é a camada física que começou a ser construída em meádos da década de sessenta quando o foco era conectar todos os pontos do planeta através de cabos metálicos e fibras ópticas; depois temos b) a camada lógica que se consolidou com o surgimento do protocolo HTTP e constitui o conjunto de protocolos de identificação e endereçamento de nós da rede; e do roteamento e troca de mensagens pela rede. Finalmente temos c) a camada social, que traz os usuários para o cenário. Esta camada é o conjunto de conceitos, padrões e serviços que permitem a interação entre os usuários e a troca de informação entre eles. Estamos falando de mecanismos de troca de mensagens, modelos de dados para o armazenamento das relações entre pessoas (grafo social ou social graph), mecanismos de identificação e autenticação de usuários; e todos os outros que se consolidaram com a popularização das redes sociais.
É sobre estas três camadas da infra-estrutura da nova web que as aplicações sociais aparecem com sua maior força. Utilizando os serviços oferecidos pela camadas inferiores as aplicações oferecem serviços específicos para os usuários entregando valor (funcionalidade e utilidade) para os mesmos. Assim, um serviço de compartilhamento de fotos como o Flickr utiliza recursos básicos das camadas inferiores para transformar o ato de armazenar e distribuir imagens numa aplicação social. Seus usuários podem, então, subir (upload) suas fotos, enviá-las para seus amigos, montar grupos de interesse, trocar mensagens, avaliar as imagens e muito mais. Por outro lado as funcionalidades de enviar mensagens, montar grupos e avaliar itens não teriam sentido sem a especificidade criada em torno das fotos no Flickr. Ou seja, a aplicação agrega valor na medida que dá um fim (objetivo) para os features utilizados das camadas de infra-estrutura. Por fim, como as aplicações sociais normalmente oferecem APIs abertas, outras aplicações mais complexas podem ser criadas utilizando-se da infra-estrutura e também dos diversos serviços oferecidos por outras aplicações. Um desenvolvedor pode, então, utilizar a API do Twitter e a API do Flickr para montar um novo serviço de disseminação informal e espontâneo de fotos e mensagens como o SnapTweet.
Assim, as redes sociais são, em última instância, plataformas que implementam e disponibilizam a camada social da infra-estrutura da nova web, onde veremos, cada vez mais, novas aplicações serem construídas e disponibilizadas. Um exemplo claro é o que está acontecendo com o OpenSocial no Orkut e as aplicações do FaceBook. É na camada das aplicações que reside o maior valor e as maiores inovações. O restante é infra-estrutura, uma nova commodity com pouca inovação e valor reduzido no novo contexto da web social.
O cenário atual
Se por um lado estas aplicações se tornaram super frequentes e um sucesso de popularidade, por outro isto é parte do problema que enfrentamos no momento. A diversidade de aplicações e as constantes pressões para que façamos, sempre, parte de todas elas gera uma situação enfrentada por quase todas as pessoas que estão profundamente envolvidas e conectadas na rede: a saturação por informações (content overload, ou information overload). Além da saturação por informações o contexto atual também é marcado por uma série de fatores que ajudam a definir o ambiente para que nossas tendências façam sentido. Entre eles podemos destacar: a) a crise internacional, que traz pressões financeiras para todos os mercados; b) a escassez de capital para novos empreendimentos consequente da crise; c) a decepção com os modelos de publicidade super direcionada beseados em informações demográficas imprecisas ou falsas nas redes sociais; d) a consagração dos agregadores de conteúdo, da inteligência coletiva e das conversações on-line como uma mídia; e) a popularização das redes móveis 3G e o surgimento de inúmeros e sofisticados dispositivos móveis conectados como o iPhone e a plataforma Android; f) o início da consolidação dos serviços de computação sob demanda em larga escala (cloud computing, ou computação das nuvens); g) a popularização dos widgets e, por fim, h) a preocupação com aspectos de portabilidade de dados (especialmente os pessoais) e as discussões sobre privacidade e segurança destas informações.
Pronto, agora que o contexto está entendido, estou quase pronto para falar das tendências. Antes, quero deixar claro que este material é fruto de minha avaliação (e imaginação) pessoal do cenário e de várias horas de pesquisa realizadas na Internet. Não tenho bola de cristal e, como todo exercício de futorologia, os riscos são bem altos, especialmente na Internet.
Vamos às tendências
As tendências que abordei em minha apresentação foram:
- Descoberta (Discovery)
- Mídias Sociais e Computação das Núvens (Social Media & Cloud Computing)
- Mídias Sociais e Mobilidade (Social Media & Mobility)
- Conteúdo e Seviços Super Locais (Hyper-Local Content & Services)
- Widgetização e Des-sitelização* (Widgetization)
* Este termo foi ‘roubado’ de uma apresentação do Abel Reis da Agência Click.
Nos próximos posts tratarei individualmente de cada uma destas tendências.
Abraços e até o próximo post!!!

13. março 2009 um 13:05
Gostei muito do seu artigo e aguardo seus novos posts!