Programar é um esporte coletivo. Pronto, o Stroustrup falou!

Nos últimos 15 anos de minha vida venho trabalhando cada vez mais com o desenvolvimento de software, na maior parte das vezes indiretamente (já que não fui programador profissional) e, algumas vezes, diretamente, em alguns projetos pessoais (como foi o caso dos 2 primeiros anos do BlogBlogs). Neste longo período, pude vivenciar evoluções interessantes na indústria de software: a popularização das linguagens orientadas a objeto, a esperança nas ferramentas CASE, a evolução rápida de JAVA, a emergência de UML como a maneira de se modelar e especificar software, os métodos planejados de desenvolvimento (Unified Proccess, RUP, etc) e, mais recentemente, a popularização das linguagens dinâmicas e dos métodos ágeis (XP, SCRUM, etc). E claro, tudo isto seguido da tradicional devoção (muitas vezes cega) de alguns dos grandes usuários de cada uma destas tecnologias, ferramentas ou metodologias.

Porém, acho que uma das coisas mais significativas que está acontecendo na indústria é a socialização do “como” fazer software. E não estou falando apenas de colaboração, que já vimos todo o seu poder na comunidade OpenSource, mas de aspectos mais mundanos e presentes no dia-a-dia do desenvolvimento. Sim, desenvolver software está se tornando uma atividade cada vez mais social e a geração de programadores que sacou isto está tomando uma dianteira indiscutível. Eles não são mais os antigos programadores do estereótipo clássico: obesos, anti-sociais e brilhantes. Eles são descolados, adoram conversar, interagem em todos os níveis e gostam muito do que fazem e desenvolvem aplicações complexas de maneira ágil, objetiva e pragmática.

Recentemente tenho tido o privilégio de vivenciar um ambiente onde este tipo de desenvolvimento está acontecendo. E isto não quer dizer que problemas não existam, mas sim que eles são atacados de maneira mais humana e social. Um membro da equipe desmotivado ou chateado é sim um problema da equipe toda e não é em super-técnicos que a coisa se sustenta, mas sim no trabalho em equipe. Nestes últimos 10 meses, uma situação me chamou muito a atenção: ver membros da equipe produzindo loucamente enquanto desenvolviam várias outras atividades paralelas, como jogar xadrez online. Incrível, centenas de linhas código fluindo naturalmente, discussões de arquitetura e design acontecendo no sofá ou no vídeo-game e o xadrez rolando, quase que como uma malha entre membros do grupo.

Claro, isto depende de skills sociais, não só para garantir a interação social, mas principalmente para permitir enxergar além de pequenas questões mundanas do dia-a-dia. Sim, humildade e maturidade são skills sociais importantes. Sem elas fica difícil escutar e, mais difícil ainda, aprender mais (principalmente com os outros) e crescer. Mais legal ainda é ver que este tipo de coisa é contagiante e todos que estão em volta acabam, de um modo ou de outro, tocados por esta situação. A gente, normalmente, aprende por exemplos ou por bater em superfícies bem sólidas, hehe. Mas o ponto é que a coisa começa a se propagar e já é possível ver outros membros sacando que ser um bom desenvolvedor exige muito mais do que dominar uma linguagem, uma técnica, um framework ou um conjunto de bibliotecas. Bingo!!! Kudos!!! E parabéns a todos (isto é uma piada interna).

É isto, a era do esporte coletivo de desenvolvimento de software chegou. E quem disse isto foi ninguém menos do que um dos grandes desenvolvedores que a humanidade conheceu, que concebeu e implementou a linguagem de programação C++, Bjarne Stroustrup. Recentemente Stroustrup deu uma entrevista polêmica sobre como educar melhores desenvolvedores de software, onde ele fala exatamente desta nova era.

Programming is part of software development. It doesn’t matter how fancy your code is unless it solves the right problem and you can explain it to others. So, brush up on your communication skills. Learn to listen, to ask good questions, to write clearly, and to present clearly. Serious programming is a team sport, brush up on your social skills. The sloppy fat geek computer genius semi-buried in a pile of pizza boxes and cola cans is a mythical creature, best buried deep, never to be seen again. Por Bjarne Stroustrup

A citação acima foi retirada desta entrevista, mas me foi enviada por um dos Jedis da equipe da WebCo. Ela fala por si só e acho que o post acaba por aqui.

Que 2009 seja um ano de muito papo, muita cerveja e muito software!!!

Hey Ho!!!!


 
 
 

One Response to “Programar é um esporte coletivo. Pronto, o Stroustrup falou!”

  1. Jonatas Davi Paganini
    28. dezembro 2008 um 12:45

    Isso ae! mto bate-papo de qualidade pra 2009!

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