Arquivo do mês de novembro 2008

 
 

Papai Noel existe sim. Ele é Geek e ama Software Livre!!!

Viajar é legal, mas tem um lado bem chato e cansativo, que é a parte logística da viagem: arrumar malas, ir para o aeroporto, esperar o vôo, pegar o avião, comer aquela comidinha  e sofrer horas naquelas poltronas. Porém, mesmo este lado chato das viagens às vezes nos dá algumas boas surpresas.

Jon Hall

Semana passada peguei um vôo de São Francisco para São Paulo, com escala em Chicago. No trecho Chicago-São Paulo tive uma bela supressa. Eu já estava sentado em minha poltrona, brincando com um telefone Android HTC Dream (ou T Mobile G1), quando vi um senhor  bem simpático, de barbas brancas e gorro de Papai Noel, se aproximando. Ele não me era estranho, mas também não era o Papai Noel. Quando vi em suas mãos um surrado notebook e um pingüim bordado em seu colete, tive certeza de que era quem eu estava pensando. Era o Jon “maddog” Hall, uma das mais simpáticas e conhecidas figuras dos movimento Open Source e do Linux.

Foi uma delícia, a longa viagem chata para o Brasil se resumiu a várias e várias horas de conversa sobre computação, linux, as aventuras do “maddog”, sua paixão pelo Brasil e seus projetos de inclusão digital. Para mim o encontro ainda teve um outro sabor, pois quando eu ainda estava na UNICAMP, a mais de 10 anos atrás, tive a chance de trocar algumas palavras com o “maddog”, quando ele veio fazer uma palestra no Centro Nacional de Computação de Alto Desempenho (CENAPAD). O mundo é mesmo uma ervilha.

Bom, para finalizar, tiramos um foto com ele de Papai Notel (as aeromoças só se referiam a ele como Santa) e combinamos de conversar novamente no Campus Party 2009.

Hey Ho Ho Ho.

De volta à Índia

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Em 2004 tive a oportunidade de visitar a Índia, o que acabou sendo uma das viagens mais loucas de minha vida. Fui convidado pelo Governo da Índia e pela Sun Microsystems (sim, eu era Javeiro de carteirinha) para fazer uma palestra no Meditel, um grande evento de telemedicina em Bangalore (o Vale do Silício da Índia).

No final de Novembro, quatro anos depois de minha primeira visita, tive outra oportunidade de voltar à Índia, desta vez em Gurgaon, uma cidade colada em Nova Deli. Estive lá para participar de um Workshop de SEO (Search Engine Optimization) no ibibo, um dos grandes players locais de Internet na Índia. Passamos um dia todo falando de SEO com o pessoal do ibibo, com o CTO do Sanook e com alguns amigos da MIH. No dia seguinte foi a hora de trocar experiências com os responsáveis pelo Sawaal, um produto de perguntas e respostas (parecido com o Brasigo) do ibibo. É incrível como uma simples troca de experiências pode esclarecer tantos pontos e inspirar tantas novas idéias. O Brasil e a Índia têm muitas diferenças, mas um montão de similaridades, especialmente quando falamos de Internet. Claro, alguns aspectos culturais são bastante diferentes, mas os problemas mais comuns de negócios de Internet são bem parecidos, em tipo e tamanho.

A impressão desta vez foi bem melhor do que há quatro anos atrás, achei tudo mais organizado e com muitas melhorias de infra-estrutura. Mais rodovias, mais sinalização, mais tudo. Mas o que mais me impressionou foi que Deli e as cidades ao redor, que estão em constantes obras. São muitos prédios, hotéis e condomínios empresariais gigantes subindo para todos os lados. A impressão é de que estão todos trabalhando para melhorar o país. Fiquei pensando se o Brasil está mesmo no mesmo ritmo destes países orientais em desenvolvimento. Acho que, infelizmente, não está.

Nos dias seguintes pude passear um pouco com um amigo que conhece bem todos os cantos de Deli. Fomos fazer compras em mercados locais e fiquei impressionado com a diferença de preços de alguns produtos tipicamente indianos vendidos no Brasil. Enquanto uma destas almofadas de decoração custa uns R$250,00 reais no Brasil em uma boa loja de decoração, nos mercados de Nova Déli, a mesma almofada custa 35 Rúpias, cerca de R$1,50. É isto mesmo, o preço no Brasil é mais de 150 vezes maior. É tão discrepante e tão barato que fiquei pensativo sobre o nível de exploração dos artesãos que fazem estes produtos.

Outra coisa que me impressionou bastante foi um mercado aberto de livros educacionais usados. Muitos estudantes indianos não tem condições de comprar livros novos e estes mercados são a única alternativa. A grande maioria eram livros bem velhos de computação, matemática e medicina (em vários sabores bem alterantivos). O mercado está localizado em uma região bem probre de Nova Déli, ao ar livre, com todo os livros espalhados pela rua, mas o mais impressionante é a quantidade de pessoas comprando e os preços super baixos. Fiquei chocado com a busca dos indianos por educação e formação acadêmica. É claro que isto está fazendo muita diferença na economia local e veremos mais frutos distos nas próximas décadas. E claro, todo mundo que busca alguma formação também fala inglês. De novo, outro contraste perturbador com o nosso Brasil.

Foi uma viagem muito interessante, até mais interessante do que a minha primeira visita à Índia. Deste vez pude ver coisas mais locais com a ajuda de um amigo que conhece muito a região. O visual é realmente chocante. Coloquei algumas fotos da viagem no Flickr onde dá para ver e sentir um pouco do que estou falando. Espero que eu possa voltar lá novamente para visitar outras cidades como Bombaim e Jaipur.

Rails Summit Latin America 2008 : Show!!!!

Mês passado participamos (eu e a galera da WebCo) do Rails Summit Latin America 2008, o maior evento focado em Rails da América Latina. Antes de mais nada preciso deixar aqui os parabéns para o Fábio Akita e para a Locaweb que foram os principais organizadores do projeto. Eles e a organização fizeram um evento de altíssimo nível, com a participação de vários palestrantes internacionais e com maciça participação da comunidade Rails local. Sem dúvida, um evento no nível dos internacionais, como o próprio RailsConf.

Nos dois dias do evento algumas coisas me chamaram bastante atenção. A primeira delas foi, sem dúvida nenhuma, a quantidade de participantes. Foram mais de 500 pessoas, todas envolvidas com Rails de alguma maneira e muitas delas trabalhando profissionalmente com a plataforma. Uma comunidade predominantemente paulista, mas com vários representates de outros cantos do Brasil, como o Charleno Pires, do Piauí; o André Fonseca, de Minas Gerais; o Ozéias Santana, do Paraná e o incrível Elomar França, do Rio Grande do Norte. 

Por incrível que pareça, grande parte das apresentações (a minha inclusive) não abordaram Ruby ou Rails diretamente, mas sim outros temas que fazem parte da filosofia em torno de Ruby on Rails. Sim, coisas como pragmatismo, testes, empreendorimo e técnicas de deployment e dimensionamento foram abordadas em várias das palestras dos convidados estrangeiros, como Chad Fowler, David Chelimsky, Ninh Bui e Obie Fernandez e de brazucas como George Guimarães, do PageStacker; Vinícius Teles, da Improve It e eu, Ronaldo Ferraz e Fernando Vieira, da WebCo (BlogBlogs & Brasigo). As palestras dos brasileiros não deixaram nada a desejar se comparadas com as dos gringos e, acredito que, inspiraram quase todos que as assistiram. Eu vi a do George Guimarães e gostei muito!!! Ele até citou a famigerada Lei de Amdahl (speedup) de meus tempos de faculdade.

Em nossa palestra, abordamos os desafios que encarei quando me aventurei sozinho a empreender (graças ao Rails) o BlogBlogs. Recordamos toda a evolução do site, desde o fatídico dia em que o Fenônemo Cicarelli mostrou que o BlogBlogs poderia ser um negócio de verdade, até os desafios atuais em manter um site com mais de 5 milhões de pageviews e 45 milhões de widgets servidos mensalmente. Tudo isto partindo de um pequeno servidor compartilhado e evoluindo para um cluster com mais de uma dúzia de máquinas dedicadas. Depois de falar de como foi esta aventura, o Ronaaaaaldo Ferraz e o Nando Vieira entraram a fundo em problemas mais recentes que temos enfrentado. Um pouco sobre como estamos organizando a arquitetura do BlogBlogs e do Brasigo para permitir uma maior produtividade e re-uso de componentes, desafios organizacionais e também sobre como estamos encarando Scrum e Testes na WebCo.

A apresentação está disponível no SlideShare, mas você também pode vê-la aqui:

Depois do evento, recebemos algumas ilustres visitas na WebCo. O David Chelimsky, o Chad Fowler e o Dr. Nic vieram bater um papo com a gente e ver o que estamos fazendo. Foi um dia bem gostoso com muita papo sobre Rails brincadeiras sobre o inglês do Dr. Nic. Depois nos despedimos deles com um almoço num restaurante indiano e voltamos para a WebCo para receber a visita do Elomar. Aqui todos são fãs do Elomar, hehe.

Almoço no Ganesh, Chad e Dr. Nic relembrando os tempos de Índia.

Ronaaaallldooo, Eu e Elomaaaaarrr!!! 

Agora é colocar mãos a obra para concluirmos o BlogBlogs 2.0 que será lançado ainda neste ano e aguardar o Rails Summit 2009, que tenho certeza que já está tirando o sono do Akita.

Hey Ho!!!


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